Rod Maia

Rod Maia

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Página criada para divulgação do trabalho de Rod Maia, como escritor.

03/12/2026

Performing a fado which is like a prayer for sailors,

09/14/2025

O AMANHECER
Rod Maia

Não amanhecerei
Pois o sol decidiu não mais entrar em meu quarto
Enviou em seu lugar a frieza das manhãs de inverno
Trazendo pelas mãos a neblina e a escuridão

Não amanhecerei
Pois a lua decidiu não mais me ver
Com seu manto escuro, recolheu as estrelas
E jogou as todas em um buraco negro

Não amanhecerei
Pois até os pássaros que cantavam à minha janela
Subitamente silenciaram
Guardaram consigo o seu canto e encanto
Decidiram não mais cantar a mim

Tu amanhecerás
Pois fizeste um pacto com o sol
Para que brilhasse exclusivamente a ti
E te fizesse eterna a primavera

Tu amanhecerás
Pois a lua te ofertas a luz
A luminosidade do teu quarto está garantida

Tu amanhecerás
Pois os pássaros que a mim emudeceram, quando voam
Voam à tua janela para soltar o seu canto contido
Cumprindo o acordo que com eles tens

Não amanhecerei
Pois não fiz acordos nem conluios
Tu amanhecerás
Pois premeditastes o amanhecer
Calculastes os passos do sol

Não amanhecerei
Mas guardarei comigo a verdade e a justiça
Tu amanhecerás
Mas levarás na tua história o engano
O peso da injustiça que praticaste

08/16/2025

LUTO e LUTA
Rod Maia

Já falo com naturalidade sobre a tua ausência
Como se a tua ausência não me consumisse os dias
E não tivesse se tornado esse nó na garganta que me sufoca à noite
E me faz suar frio durante o sono
Ou como se não fosse como dor que punge
Tal qual uma navalha cravada embaixo da unha
Ou como a lembrança repetitiva
Do instante da morte dos nossos cachorros

Já falo com naturalidade dessa lacuna
Desse embuste, dessa morte em vida
Daquilo que me foi mais caro durante os melhores anos da minha juventude

Quando costumávamos celebrar os aniversários e a saúde
Quando costumávamos festejar a vida e o amor
Quando teimávamos em fazer da alegria a trilha sonora da existência

Quando nem notávamos que, por si só
O destino já fazia contagem regressiva
A emboscada do porvir já se preparava

O tempo, traiçoeiro e atroz
Apunhalou pelas costas a saúde e a alegria
Atacou-as juntas, sem chances de defesa
O destino, com seu rifle, já nos mirava
Sá**co, já nos tinha como alvo...

Já lembro, sem chorar
Do cheiro de bolo na casa
Do riso solto e das bobagens que dizíamos um ao outro
Feito crianças bobas
De todo o teu tino e do meu desatino

De quando te conheci e paralisei
Com o teu sorriso e o teu olhar
Hoje, mero retrato pendurado na parede da minha saudade
Hoje, poema que o tempo ousou rasgar e queimar
Hoje, sentimento soterrado sob a avalanche dos enganos

Já lembro, já inspiro e expiro, já consigo outra vez sorrir
Apesar dos tempos sombrios e do peso dos dias
A estrela-guia me ilumina os caminhos
E me faz resistir.

07/29/2025

VOLTAR PARA ONDE?
Rod Maia

Todos quando perdem
Todos quando são derrotados
Todos quando levam porrada
Todos quando são achincalhados

Têm um lugar além da rua
Têm para onde voltar
Têm o colo de uma mãe
O abraço de um pai
O olhar terno de uma avó

Todos quando levam chutes
Empurrões, rasteiras, cusparadas
Têm um teto a lhes abrigar
Têm uma cama a lhes esperar
E um prato de comida sobre a mesa

Voltar pra onde?
Se tudo foi jogado ao mar
Até o xale branco bordado à mão
Até mesmo a chaleira que herdei de minha avó

Voltar para onde?
Se o endereço se apagou
E a casa, dizem alguns
Foi coberta por teias de ar**ha e
virou um ninho de insetos
Outros dizem, foi arrastada pela fúria do rio
E outros ainda afirmam que
Foi totalmente consumida por cupins

O certo é que da casa
Não resta teto, parede, porta ou janela
Até as ruas a correnteza levou

A vida que tanto já me negou ou usurpou
O teto, o abraço, o cafuné, a proteção
A inocência, a infância, a fantasia
O presente de Natal, o berço

A vida, mais uma vez me joga na sarjeta

E, traiçoeiramente me rouba
A compreensão e o carinho de quem amei
E a quem dediquei meus melhores anos

E, mais uma vez me nega
O cuidado e o olhar misericordioso
Sobre este corpo doente que luta
Sobre este corpo que nunca se rendeu
Sobre este farrapo parvo
Que mais uma vez habita o oco, a fresta, o vazio
E paira sobre a vida
Sem ter aonde pousar.

TE REENCONTREI EM SINTRA 07/27/2025

https://outrosespelhos.blogspot.com/2025/07/te-reencontrei-em-sintra.html

TE REENCONTREI EM SINTRA Quem és tu? Porque aqui estás? Qual o teu propósito no mundo? Na teimosia em seres tu Resolveste aceitar todas as taças queb...

07/20/2025

THE ANGEL
Rod Maia

My favorite venue in Lisbon

Best fado, joyful environment, best food

No seats, crowded

Suddenly, an angel opened his wings

And alighted in front of me

Bright eyes, bright smile

The sweetness of his presence made me tremble

The truth in his smile almost made me cry

His presence, full of emotion and brightness

Almost made me crumble

In that moment my entire gaze was his

I’ve never seen such tenderness

I’ve never seen such truth

I’ve never seen a kind of sweet creature

Barely knew me, barely knew my name

Was capable of immediate openness and connection

As if we were old friends

As if we were children of the same dawn

As if we were newborns

Pure, curious about life, naked

And suddenly growing like men

Still curious about life

Still like old friends

Still naked

And finally, attractive

Breaking the silence about it

Even it’s being a sin

Let’s talk about this angel’s beauty

A mesmerizing smile

A sweet and charming way of speaking

Beautiful accent, beautiful voice, beautiful smile

Beautiful feathers and wings

I confessed I almost fell in love with him

He reminded me, it’s forbidden

I wouldn’t have the chance to fall in love with him

As an angel, he could never love me the way I wanted

He could never love me back that way…

Eventually we found a way to love

Friendship lasts longer than romantic love

Someday, we’ll fly together again

This world is vast

Angels can fly everywhere

I promised, he promised.

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A escrita e eu

Rod Maia nasceu em Porto Alegre-Rio Grande do Sul/Brasil. Começou a escrever bem no início da adolescência e a engavetar seus escritos. Inicialmente eram longos diálogos e narrativas, escritos à mão. Aos 12 anos fez um curso de datilografia, e ganhou da mãe uma máquina de escrever, que se torna seu objeto de contemplação, o amuleto que lhe acompanha por toda a adolescência. A partir de então, a escrita se torna sua grande companheira e aliada.

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