Hugo Magalhães Rally Co-Driver

Hugo Magalhães Rally Co-Driver

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Living the life in a very high speed and intensity In the end it comes from: LOVE | PASSION | HARD WORK

06/06/2026

Quando comecei a acompanhar os ralis, uma das duplas que mais me marcou foi a de Nicky Grist e do saudoso e inesquecível Colin McRae.

Hoje tive o privilégio de conhecer e tirar uma foto com uma verdadeira lenda da modalidade. Um daqueles momentos que nos fazem regressar aos primeiros tempos da nossa paixão pelos ralis e recordar tantas emoções vividas ao longo dos anos.

Há memórias que f**am para sempre e há ídolos que nunca deixam de o ser. Uma recordação que guardarei com enorme orgulho.

Recordar é viver 🏁🤩

Photos from Hugo Magalhães Rally Co-Driver's post 31/05/2026

Que semana incrível.

P2 - WRC3 🥈 Rali exigente , intenso que nos colocou à prova todos os dias. Houve muito trabalho, dedicação e um crer muito grande no processo, cada esforço foi recompensado por um bom resultado e uma experiência inesquecível.

Contudo, aquilo que mais levo desta aventura não são apenas os quilómetros percorridos ou o resultado alcançado.

É o povo japonês 🙇

A sua simpatia, generosidade, alegria, bondade e respeito tocam de uma forma que nunca tinha vivido. Em cada sorriso, em cada gesto e em cada encontro encontrámos pessoas extraordinárias que tornaram esta viagem ainda mais especial.

O rali foi fantástico, estradas e paisagens incríveis mas, o Japão e o seu povo serão verdadeiramente inesquecíveis. 🇯🇵❤️

Photos from Hugo Magalhães Rally Co-Driver's post 30/05/2026

🇵🇹Mais um dia positivo para nós no Japão.

Continuámos a aprender, a evoluir e a ganhar experiência nestas estradas tão exigentes. Acima de tudo, estamos a desfrutar de cada momento deste incrível rali e da sua atmosfera única.

Prontos para o último dia!

🇬🇧Another positive day for us in Japan.

We continued to learn, improve and gain valuable experience on these demanding roads. Above all, we are enjoying every moment of this incredible rally and its unique atmosphere.

Looking forward to tomorrow🎌

🇪🇸 Otro día positivo para nosotros en Japón.

Seguimos aprendiendo, mejorando y ganando experiencia en estas exigentes carreteras. Sobre todo, estamos disfrutando cada momento de este increíble rally y de su ambiente único.

Con ganas de afrontar mañana 🇯🇵

Photos from Hugo Magalhães Rally Co-Driver's post 29/05/2026

🇬🇧 ENGLISH

Today was turning into a very positive day for us, managing to take two stage wins in WRC3.

We were learning a lot in extremely challenging conditions, dealing with wet, dry, and muddy surfaces on the demanding roads of Japan. Every stage was valuable experience, and we felt more confident kilometre after kilometre.

We were doing a really solid job, but unfortunately a transmission failure stopped our progress after another mechanical issue.

Now the goal is to continue under Super Rally and keep learning as much as possible. We’ll keep pushing, fighting, and making the most of every kilometre.

🇪🇸 ESPAÑOL

El día estaba siendo muy positivo para nosotros, logrando ganar dos tramos en WRC3.

Estábamos aprendiendo muchísimo en condiciones extremadamente difíciles, alternando entre piso mojado, seco y con barro en las complicadas carreteras de Japón. Cada kilómetro estaba siendo una gran experiencia.

Estábamos haciendo un buen trabajo, pero desafortunadamente una rotura de transmisión nos dejó fuera tras otro problema mecánico.

Ahora toca continuar en modo Super Rally y seguir aprendiendo. Seguiremos luchando y aprovechando cada tramo al máximo. 🤜🏻🇯🇵🤛🏻

21/05/2026

WRC 🇯🇵 já começou a jornada que vai levar até ao Japão para mais uma prova do mundial de ralis.
Agora é ver se não chego lá com o traseiro quadrado e o corpo empenado 🤣🤦🏼.

19/05/2026

Há fotos que congelam um momento e outras que guardam uma era inteira.
Esta faz hoje 10 anos no Rali de Portugal, eu e o mais três pequenas fãs que hoje já cresceram e nós já de cabelos brancos 😬🤦🏼

O tempo passa depressa, mas as memórias f**am para sempre.

Photos from Hugo Magalhães Rally Co-Driver's post 15/05/2026

Sinais do Tempo ✒️ A Saudade dos “verdadeiros” dias de Fafe.

Uma herança que sinto na pele.

Há coisas que não se explicam, apenas se vivem e sentem, e há lugares que não se visitam, apenas se habitam com o coração, com a alma e de corpo inteiro. Para mim, Fafe é assim. Não é um ponto no mapa 📍 é uma identidade!

Sou fafense de gema. E isso signif**a muito mais do que ter nascido numa cidade do Minho.
Signif**a levar com orgulho o nome de um lugar que o mundo dos ralis conhece. Signif**a saber que quando digo “Fafe” num rali ou parque de assistência em qualquer canto do planeta, os olhos brilham, as pessoas conhecem não por turismo, não por gastronomia, pela Justiça de Fafe ou pelo jogo do pau, mas por aquela descida, a famosa transição terra-asfalto-terra, aquele voo impossível que ficou gravado na história do automobilismo mundial.

Escrever este texto não é de todo fácil. Não pretendo criticar ninguém. Não quero apontar dedos. Quero apenas partilhar o que qualquer pessoa faz quando ama algo profundamente e de forma genuína. Olho para o passado com saudade, olho para o presente com tristeza, e tento perceber onde é que o tempo, ao avançar, foi deixando coisas pelo caminho que não devia.
Infelizmente, tempos modernos nem sempre são sinónimo de evolução.

Tinha 7️⃣ anos quando aprendi a gostar de rali. Não foi na escola, não foi através de um ecrã. Foi na estrada, no meio do mato, das giestas, das árvores e rodeado de família.
Ir ao rali era uma obrigação e dias antes preparávamos tudo como de uma excursão se tratasse. E de certa forma, era mesmo isso. No dia anterior, a casa enchia-se de movimento e panelas ao lume.

Quem nunca levou para a serra um arroz à valenciana, uma feijoada à transmontana, umas tripas à moda do Porto enroladas em toalhas de mesa ou mantas para não arrefecer? As geleiras, bem carregadas para garantir que o pó da terra não secasse a garganta.

De manhã cedo, ainda no escuro, lá íamos uma romaria de gente carregada, uns agarrados às asas das panelas, outros às geleiras, outros com a louça, outros com as mesas e cadeiras desdobráveis. Ninguém reclamava! Todos olhavam para a frente, para aquela estrada onde o espetáculo ia passar.

Era uma festa!

Mais tarde, com mais idade e já com os amigos, a cerimónia não mudou, só ganhou novos atores e novos ingredientes. As mochilas substituíram as panelas, mas o espírito era o mesmo. Panados que viajavam embrulhados em papel de prata, rissóis que chegavam ao destino ainda mornos, bolinhos de bacalhau, chouriços, presunto, os pacotes de batata frita e os docinhos que não podiam faltar.

Íamos a pé, de bicicleta ou à boleia, muitas vezes enfiados em carrinhas de caixa aberta por horas e horas, sem reclamar da estrada ou do tempo. Porque o caminho já era parte do rali.
E a noite anterior? Essa sim, era quase impossível de dormir. Não por ansiedades modernas, não por notif**ações ou redes sociais. Era aquela excitação pura, visceral, de criança que sabe que amanhã vai acontecer algo que não tem igual durante o ano.

Era o melhor acordar do ano, fosse ele às três ou quatro da manhã, mas o dia já cheirava a rali.
O amanhecer confirmava tudo. Quando a luz começava a aparecer sobre a serra e já se ouvia ao longe o barulho distante dos helicópteros da segurança, o coração acelerava. Estávamos perto, em poucos minutos começava a festa.

“Anfiteatro Natural” onde o mundo vibrava.
Quem não conhece o famoso Confurco ou os saltos de Fafe?

Aqueles anfiteatros naturais que a própria geografia de Fafe generosamente desenhou. Uma descida de montanha, saltos com público dos dois lados, cima e baixo, espalhado pelas encostas em números que nenhum estádio conseguiria acolher.

Naqueles lugares aconteciam coisas únicas, especiais e diferentes.
Cantávamos o hino nacional assim, espontaneamente, de um lado para o outro, sem que ninguém mandasse, sem que ninguém organizasse. Fazíamos uma “ola mexicana” que corria pelas encostas de um lado para o outro. Havia cânticos, provocações amigáveis entre fãs, risos, abraços entre desconhecidos que se tornavam amigos no espaço de uma passagem.
Os únicos sons que importavam e queríamos ouvir eram o rugido dos motores, os pneus a chiar na passagem terra-asfalto-terra, os aplausos que explodiam de todos os lados, os helicópteros a sobrevoar os carros, e as milhares de vozes a vibrar como se fossem uma só.

Ainda hoje, ao escrever estas palavras, sinto um arrepio na pele.
São memórias que não envelhecem, são saudáveis, vivas e eternas.
Depois da última passagem, o regresso era a última parte do espetáculo.
Filas e quilómetros de trânsito, carros a passo de caracol, janelas abertas com conversas de carro para carro e comentários sobre este piloto e aquele carro.

Ninguém estava zangado, ninguém buzinava de raiva, a festa continuava, cansados mas satisfeitos.
Também havia qualquer coisa de belo nesta lentidão, como se ninguém quisesse mesmo chegar a casa, como se f**ar na estrada fosse uma forma de prolongar o dia.
Chegava a casa com a roupa toda suja, muitas vezes rasgada, o calçado melhor nem falar, os pés mortos, a voz rouca de tanto gritar, pó por todo o corpo, mas um sorriso 😀 que f**ava colado na cara durante semanas.

Estes foram os valores e a forma com que me ensinaram a viver e a respeitar o rali em Fafe.

O que o tempo foi deixando para trás….

O rali continua, Fafe continua, o Confurco e os saltos continuam, mas algo mudou e, desta vez, não é difícil nomear o quê.

O comércio instalou-se onde havia genuinidade. Uma espécie de máquina comercial que transforma qualquer coisa autêntica num produto embalado e vendável chegou ao anfiteatro natural de Fafe e foi ocupando espaço, literalmente.
As tendas multiplicaram-se, as lonas e carrinhas com publicidade a empresas e negócios foram cobrindo aquilo que antes era apenas monte e público. Os andaimes e as gruas ergueram-se para garantir o melhor ângulo, não para ver o rali, mas para filmar conteúdo e dar espetáculo. As marcações de lugares apareceram dias antes, como se um troço de rali fosse uma sala de cinema, transformando um espaço que sempre foi de todos num território de disputas e conflitos desnecessários.

E depois chegou o espetáculo paralelo, porque hoje em Fafe há dois espetáculos.

👉🏻 O espetáculo que todos queremos ver. Os carros de competição na estrada. 🟢✔️
👉🏻 O espetáculo de carros alegóricos equipados com sistemas de som que competem em decibéis com os próprios motores de competição.
Umas espécies de carros ou fogareiros que desfilam e lançam labaredas ao ar como se fossem parte do programa.

Motosserras a rugir sem propósito aparente, apenas para fazer barulho, apenas para chamar atenção.
DJs a tocar música a todo o volume, horas e horas.
Petardos e fogo de artifício que explodem sem aviso, sobressaltando e colocando em risco quem está ao lado, e abafando o som que todos ali foram ouvir.

O resultado é uma cacofonia. Uma competição de quem faz mais barulho, quem se faz notar mais, quem constrói o engenho mais extravagante.
E por trás de tudo isto há algo ainda mais preocupante. A falta de tolerância e de empatia pelo próximo. O adepto antigo sabia partilhar o espaço, sabia que estava em comunidade, que havia uma responsabilidade coletiva naquele espaço. Hoje, esse sentido de comunidade foi substituído pelo individualismo mais ruidoso, o meu lugar, a minha tenda, o meu motosserra, o meu andaime ou o meu conteúdo.

Quem chega sem reserva de espaço, quem vem apenas com uma mochila e vontade de ver o rali, encontra muitas vezes não um lugar mas obstáculos, indiferença e desrespeito, ou melhor, já há muitos que preferem nem chegar.

A feira de vaidades instalou-se onde havia uma festa genuína. O adepto que não vem ver o rali vem ser visto. Vem para a fotografia, para o vídeo, para o like, para muitas outras coisas.

O telemóvel levantado substituiu os olhos arregalados.
As redes sociais substituíram o arrepio.

Tudo isto veio substituir a genuinidade, veio substituir a essência de uma prova que não precisava de mais nada para ser perfeita porque já tinha tudo. Veio apagar, camada por camada, a magia de um lugar que a própria natureza desenhou para ser anfiteatro, e que durante anos foi palco de algo que não se compra e não se replica.

👉🏻 A emoção pura e partilhada de pessoas que amavam verdadeiramente o que estavam a ver.

Não foi o rali que mudou. Foi o que o rodeia. E às vezes isso chega para mudar tudo.
Fafe sempre mereceu crescer, mas merecia crescer sem perder alma, a sua essência.

E enquanto houver quem se lembre de como era, essa alma ainda existe, guardada nas memórias de quem carregou panelas pela serra, cantou o hino nacional no meio da montanha, e sentiu, aos sete anos, que havia lugares no mundo onde tudo fazia sentido.

Fafe foi e será sempre um desses lugares.
E enquanto houver memória, aquele rugido não se apaga.

13/05/2026

🇵🇹 Rally de Portugal 🇵🇹 faz parte do meu ADN e é por isso que sinto que tenho de falar. E se fôssemos nós a contribuir para mudar isto?

Há anos que o rally faz parte da minha vida e não de forma casual. É o meu trabalho há precisamente 20 anos. Conheço o desporto por dentro, já vivi e vivo este mundo pelos quatro cantos do planeta e, precisamente por isso, sinto que tenho também a responsabilidade, ou o simples direito, de falar.

Não falo como alguém que critica através de um teclado, mas como alguém que ama este desporto de forma genuína e que quer, acima de tudo, continuar a ver carros a passar nas estradas portuguesas durante muitos e muitos anos. Esse é o meu compromisso. E é a partir desse compromisso que partilho um dos meus pontos de vista/ideias.

Nos últimos dias, dei-me ao trabalho de ler comentários em vários grupos e páginas após o rally. Não para criticar, mas para perceber. Para ouvir. Para tentar entender onde estamos e para onde podemos ir.

Li pessoas a dizer que pagaram para estacionar em terrenos particulares para aceder às classif**ativas. Li proprietários a dizer que alugam os seus terrenos. Li outros que se intitulam proprietários para montar um negócio paralelo, sem qualquer organização e de forma ilegal. Li queixas de quem pagou e depois não havia condições mínimas ou apoio. Li também quem critica as câmaras por gastarem dinheiro público no rally enquanto as populações têm necessidades por responder.

Tudo isto a acontecer no mesmo evento que nos une e move.

A pergunta que f**a é: se tanto gostamos do rally, porque é que somos nós, os adeptos, que perpetuamos este “caos”?

Basta olhar para o centro e norte da Europa. Em muitos rallys, paga-se para aceder às especiais. Isso não afasta ninguém, pelo contrário. Porque esse dinheiro é gerido pela organização e reverte para a preparação dos terrenos, para compensar os proprietários que, de uma forma ou outra, acabam sempre por ver algo seu danif**ado, para a limpeza das zonas espetáculo e acessos, para pagar a quem trabalha durante horas como marshal, assistente ou voluntário.

Porque é que um concerto, um jogo de futebol, um festival ou qualquer espetáculo é pago para assistir, e um evento que custa centenas de milhares de euros não pode ter também um ingresso simbólico? Apenas o nosso contributo.

3€ ou 5€ por pessoa numa zona espetáculo. É isso que nos vai fazer f**ar em casa? Eu acredito que não.

Estaríamos a contribuir para que o clube organizador pudesse investir em melhores condições e inovação. Contribuiríamos para que as autarquias onde passa a prova aliviassem um pouco os seus encargos e pudessem canalizar as suas verbas para outras necessidades. E o rally deixaria de ser o argumento que alimenta essa crítica.

Os proprietários seriam compensados de forma justa e transparente. Teríamos organização real nas zonas espetáculo. Os marshals e todos os que trabalham — e são muitos — seriam reconhecidos e remunerados pelo esforço que fazem. E nós passaríamos a ser parte da solução e não do problema.

Já sei que haverá quem diga: “Isso é só mais uma receita para a organização gastar e lucrar.” Pode ser um facto. Mas, em qualquer outro evento desportivo ou cultural, as pessoas que nele trabalham são compensadas porque esse é o seu trabalho, a sua profissão, o seu dia a dia. Porque são elas que, com a sua dedicação e o seu tempo, nos dão a oportunidade de assistir a um evento de que gostamos.

Então porque é que no rally tem de ser diferente?

Exigimos organização, segurança e qualidade, mas recusamos contribuir para que isso seja possível. Não podemos querer as duas coisas ao mesmo tempo.

Este post não é uma crítica. É a minha forma de analisar e de ver as coisas como um todo e para todos, mas também de forma evolutiva.

É um convite para mudarmos de mentalidade juntos.

O Rally de Portugal é de todos nós. Essa responsabilidade também é nossa

Photos from Hugo Magalhães Rally Co-Driver's post 10/05/2026

PORTUGAL 🇵🇹 onde o WRC ganha Alma!

Mais uma edição concluída. Mais um capítulo escrito na história de uma prova que há muito deixou de ser apenas mais uma no calendário do Mundial de Ralis para se tornar numa referência. O Rali de Portugal voltou a mostrar ao mundo o que signif**a competir a este nível, neste país onde existe uma ligação genuína entre competição e público.

Um evento desta dimensão não acontece por acaso. Acontece porque há milhares de pessoas a trabalhar para que aconteça. Ao ACP, aos patrocinadores, às Autarquias, às forças de segurança, aos bombeiros e aos voluntários o vosso contributo é a espinha dorsal desta prova, e o vosso trabalho merece todo o nosso
reconhecimento.

Aos adeptos, porque um rali não é só uma prova de resistência, resiliência e improviso para as equipas, é também para quem assiste. Dormir na serra, acordar cedo, percorrer quilómetros, enfrentar o frio, a chuva, o calor e f**ar. Nós portugueses não arredamos pé. Essa teimosia bonita, essa paixão que não cede ao desconforto é parte do que torna este rali e a nós diferente de todos os outros. Vocês não assistem só ao rali, vocês resistem com ele e fazem-no maior.

Um palavra também para o S. Pedro que teve um plano genial 🙌🏻

Chuva, sol, granizo por vezes tudo ao mesmo tempo. Uma imprevisibilidade que tornou cada especial numa lotaria e escolhas feitas pelas equipas como quem lança uma moeda ao ar e que partiu a cabeça a muita gente.

O resultado? Um rali absolutamente imprevisível. Vários pilotos na luta pela vitória. Classif**ações que mudaram de especial para especial. Suspense até ao último quilómetro!

O Rali de Portugal não é apenas um dos melhores ralis do mundo. É também aquele que nunca se sabe como vai acabar e é exactamente por isso que nunca nos cansamos de voltar.

Até 2027 🤝

08/05/2026

Rali de Portugal 2026 — Sobre o que aconteceu hoje, e sobre o que não devia ter acontecido a seguir.

Como já muitos de nós sabemos hoje ocorreu um incidente grave numa especial do Rali de Portugal. Um reboque entrou na estrada com o troço em andamento, prejudicando um dos concorrentes. É um facto. É uma falha séria de segurança. E merece ser tratado como tal , com seriedade, com rigor, e sem dramatismo desnecessário.

O que não merece, é o que aconteceu nas horas seguintes.
Assisti a uma corrida nas redes sociais portuguesas, sobretudo para espalhar o vídeo, identif**ar páginas estrangeiras, ampliar o alcance, colecionar likes e visualizações. Como se o prejuízo do “nosso rali” fosse um ativo pessoal. Esse comportamento é, para mim, muito mais grave do que o incidente em si.
Porque o incidente já foi transmitido em direto. Já chegou a quem tinha de chegar. Não precisamos nós, enquanto portugueses, de trabalhar ativamente para colocar a prova e os seus organizadores numa posição ainda mais frágil.

Sobre as vozes que aproveitaram para dizer que “em Portugal não há segurança”, que “vamos perder o rali”, que “Arganil vai ser excluído”, que “os marshals não têm formação”, que “colocaram escuteiros a fazer segurança” etc etc…. vamos com calma.

O Rali de Portugal é uma das provas melhor organizadas do calendário WRC. É reconhecido mundialmente. A comparação com outras provas do campeonato não nos envergonha — pelo contrário.
Em muitos ralis lá fora, quem coordena as especiais são também voluntários, pessoas jovens ou idosas, sem formação policial. A diferença não está na farda, está na cultura cívica. Noutros países, o público respeita os limites, cumpre as regras e não precisa de ser vigiado permanentemente. A polícia existe para controlar o trânsito, não para substituir o bom senso de cada um.

Quando alguém vai “para o monte” e não se sabe comportar, isso não é um problema de organização. É um problema nosso!

O que aconteceu hoje foi uma falha. Haverá uma investigação a decorrer, há mecanismos para apurar responsabilidades e tomar medidas. O que não podemos fazer é confundir uma falha pontual com uma organização falhada. Nem usar essa falha como munição para destruir algo que, com muito trabalho e muito orgulho, Portugal, o ACP, as Autarquias e patrocinadores e todos os envolvidos construíram no desporto motorizado.

O Rali de Portugal é o maior evento desportivo organizado em Portugal. É literalmente a nossa festa. Tratemo-la como tal, com orgulho, com civismo, e com a consciência de que o que se constrói com anos de trabalho pode perder-se com horas de irresponsabilidade.

Protejamos o que é nosso. Nem que seja f**ando em silêncio!

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