Sankοfa - Reflexões

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"História, Debates, e Promoção da consciencia histórica Afrikana."

14/06/2026

KULAYA, A CHAVE DO CADEADO CHAMADO LAR

Houve um tempo em que os rapazes também eram preparados para o casamento.

Não havia kulaya para eles. Mas havia algo igualmente poderoso: os conselhos dos mais velhos.

O pai chamava o filho para debaixo da mangueira.
O tio fechava a porta e dizia: — Senta aqui. Está na hora de aprender coisas que nenhum amigo bêbado vai ensinar.
O jovem aprendia que casar não era apenas levar uma mulher para casa. Era tornar-se casa.

Aprendia que homem não era quem fazia filhos. Era quem os criava.
Aprendia que o respeito da esposa começava pelo respeito que ele demonstrava à própria família.
Aprendia que o salário não era troféu para exibir no bolso da camisa. Era alimento, propina, remédio e futuro.

Hoje muita gente cresceu de tamanho. Mas não cresceu de juízo.
Tem barba. Tem filhos.Tem conta bancária.
Mas continua menino.
Menino com carta de condução. Menino com barriga. Menino com certidão de casamento.

Recebe o salário de manhã.
À tarde já está sentado na barraca.
Primeira rodada para os amigos.
Segunda rodada para os amigos dos amigos.
Terceira rodada para pessoas que ele nem conhece.

Enquanto isso, em casa, a panela faz greve.
As crianças olham para a mãe.
A mãe olha para a panela.
A panela olha para Deus.
E ninguém tem resposta.

Mas o nosso herói da irresponsabilidade continua firme na missão.
Compra cerveja para uma mesa inteira.
Paga carne de porco e salada de tomate para desconhecidos.
Distribui dinheiro como candidato em campanha eleitoral.

Quando chega a casa, porém, descobre que não tem dinheiro para cadernos escolares.
Nem para açúcar.
Nem para óleo.
Nem para o pão da manhã.
Milagrosamente, a carteira ficou vazia no exato momento em que a família precisou dela.

E há os especialistas em procurar fora aquilo que já possuem dentro.
Têm uma esposa que os respeita mas procuram respeito na rua.
Têm filhos que os admiram mas procuram admiração dos amigos da barraca.
Têm um lar mas passam mais tempo em casas alheias.
Têm uma mulher à espera mas preferem correr atrás de prostitutas que os tratam por amor durante vinte minutos.

Gastam o dinheiro da família para impressionar pessoas que nem se lembrarão do seu nome na manhã seguinte.
São generais da rua mas soldados desertores dentro de casa.

Hoje muitos homens sabem decorar resultados de futebol poucos sabem a classe dos próprios filhos.

Muitos conhecem todas as marcas de cerveja mas poucos conhecem os sonhos da esposa.

Muitos sabem onde há festa mas poucos sabem onde está a responsabilidade.

Muitos conseguem passar a noite inteira na barraca mas não conseguem passar meia hora a conversar com a família.

E depois perguntam por que razão os lares estão a desabar.

A verdade é que nenhum casamento sobrevive apenas com o esforço da mulher.
Nenhuma tradição funciona se apenas um dos lados aprender.

Não basta ensinar a mulher a ser esposa.
É preciso ensinar o homem a ser marido.
Porque casamento não é uma carroça puxada por um único boi.

Talvez esteja na hora de recuperar também as antigas lições dadas aos rapazes.
Aquelas que ensinavam que ser homem não é falar alto.
Não é beber mais.
Não é ter mais amantes.
Não é chegar tarde.

Ser homem é ser presença.
É ser abrigo.
É ser exemplo.
É ser alguém cuja família dorme tranquila porque sabe que pode contar com ele.

Porque um povo que ensina apenas as filhas a carregar o lar acaba por criar filhos que acreditam que o lar se carrega sozinho.

E quando isso acontece, o problema deixa de ser o kulaya.
Passa a ser a infância prolongada de homens que envelheceram sem nunca terem crescido.

Escrito por: Moz Inquieto

13/06/2026

SANKOFÃS,
A batalha f**a nos comentários...

VENCEMOS O COLONIZADOR?

13/06/2026

O Traje da Selecção do Congo é Uma Expressão da Essência Africana

Numa época em que muitas sociedades abandonam gradualmente as suas referências culturais em nome de tendências globais, ver uma selecção africana entrar em campo vestindo um traje inspirado nas suas raízes é muito mais do que uma simples escolha estética; é um acto de afirmação identitária. O traje apresentado pela selecção do Congo não representa apenas um país, mas simboliza uma parte importante da alma do continente africano.
[...]
África sempre comunicou a sua história através das cores, dos tecidos, dos padrões e dos símbolos. Muito antes da escrita chegar a diversas regiões do continente, os povos africanos já utilizavam o vestuário como uma linguagem capaz de transmitir origem, estatuto social, valores espirituais e pertença cultural. Os desenhos, as cores e os detalhe carregavam autenticidade.
Por isso, quando a selecção congolesa decide apresentar-se com um traje que resgata elementos tradicionais da sua herança cultural, está a recordar ao mundo que o futebol não é apenas um espectáculo desportivo. É também uma plataforma para contar histórias, preservar memórias e celebrar identidades.
[.....]
Infelizmente, ainda existe quem olhe para as manifestações culturais africanas como algo exótico ou ultrapassado, enquanto aceita sem questionar símbolos culturais importados de outras partes do mundo. Contudo, a verdadeira modernidade não consiste em abandonar as próprias raízes, mas sim em valorizá-las e projectá-las para o futuro.

O traje da selecção do Congo é uma declaração silenciosa, mas poderosa: África não precisa de imitar ninguém para ser relevante. A sua riqueza cultural, construída ao longo de milhares de anos, é suficientemente grandiosa para inspirar o mundo inteiro.
Mais do que um uniforme, aquele traje representa a dignidade de povos que resistiram à escravatura, ao colonialismo e às tentativas de apagamento cultural. Representa a criatividade africana, a diversidade das suas nações e o orgulho de pertencer a um continente que continua a influenciar a música, a moda, a arte e o pensamento global.

Quando o Congo veste a sua cultura, não está apenas a representar os congoleses. Está, de certa forma, a transportar para o relvado um pedaço da essência africana; uma essência feita de história, beleza, identidade, etc.
Porque um povo que honra as suas raízes não caminha para trás; caminha para o futuro sabendo exactamente quem é.

SUSATEL
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13/06/2026

Nada de nhonga, 🇲🇦
Estamos de 👀🫣

13/06/2026

BRASIL 🇧🇷 PREPARANDO O CONFRONTO COM O MARROCOS 🇲🇦

13/06/2026

❗FORA DA ÁFRICA O BRASIL TEM A MAIOR POPULAÇÃO NEGRA NO MUNDO

👉🏿 O Brasil tem a maior população negra de qualquer país no mundo fora da África. Mais de 100 milhões de brasileiros - constituindo mais de 55% da população total.

Seja qual for a forma que identifiquem-se, como negros ou preto, mestiço ou pardo, o Brasil tem sangue e DNA de África.

- VOCÊ VAI APOIAR MARROCOS OU BRASIL?🤔

Sobameteconsciente 🇧🇷🇲🇦

13/06/2026

Burkina Faso inaugura complexo multiesportivo apesar de sanções e restrições financeiras.🇧🇫‼️

Burkina Faso inaugurou, no dia 11 de junho de 2026, um novo complexo multiesportivo no Palais des Sports, em Ouaga 2000, numa iniciativa apresentada como símbolo de resiliência diante das sanções e restrições financeiras impostas por países ocidentais.

Segundo a narrativa divulgada por apoiantes do governo, o país enfrentou cortes de financiamento, sanções e exclusão de programas financeiros internacionais, enquanto surgiam previsões de que o Presidente Capitão Ibrahim Traoré não conseguiria avançar com grandes projetos sem apoio ocidental.

Em resposta, foi inaugurada uma nova infraestrutura desportiva construída com bambu africano de alta qualidade e financiada integralmente pelo Fundo de Desenvolvimento Desportivo do Burkina Faso.

O complexo foi projetado para receber competições de basquetebol, voleibol, andebol, futsal, badminton e outras modalidades, tendo sido construído de acordo com padrões internacionais. As autoridades estimam que a infraestrutura possa servir os atletas durante os próximos 10 a 15 anos.

Apoiantes do governo destacam que vários países africanos com orçamentos superiores e apoio financeiro internacional não conseguiram concretizar projetos semelhantes. Também sublinham que a obra foi realizada sem financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou do Banco Mundial.

A inauguração é apresentada como uma demonstração da capacidade de Burkina Faso de investir no desenvolvimento da juventude e do desporto nacional.

A iniciativa tem sido associada ao legado de Thomas Sankara, que definiu Burkina Faso como a “Terra dos Homens Íntegros”.

Para os defensores do projeto, o novo complexo representa um investimento no futuro da juventude burquinabê e na promoção do desporto no continente africano.

Bissau, 13 de junho de 2026
Por DMG TV / Digital Mídia Global TV

13/06/2026

No Níger Homossexualidade passa a ser punida com até 20 anos de prisão

Segundo o novo código penal do Níger, “qualquer pessoa que cometa ou tente cometer um ato impudico ou antinatural, ou práticas lésbicas, g**s, bisse***is, transgênero, q***r, interse***is, asse***is (LGBTQIA+), mantenha ou tente manter relações se***is com uma pessoa do mesmo s**o, será punida com uma pena de prisão de cinco a dez anos” e uma multa de até 100 milhões de francos CFA (175 mil dólares).

Outro artigo pune com entre 10 e 20 anos de prisão “quem estabelecer matrimônio com uma pessoa do mesmo s**o”. A mesma pena se aplica a “qualquer pessoa que administre, dirija, opere, financie ou participe de clubes, sociedades, organizações ou associações para homosse***is ou pessoas LGBTQIA+”.

Créditos: UOL

13/06/2026

KULAYA, A TRADIÇÃO QUALQUERIZADA

Houve um tempo em Moçambique em que o casamento não era apenas um evento. Era uma missão nacional.

Dias antes da cerimónia, a noiva desaparecia misteriosamente da circulação. Não era rapto, nem fuga. Era kulaya na zona sul, kupángwa na zona centro. Um autêntico curso intensivo de sobrevivência matrimonial.

As professoras eram mulheres com currículo respeitável: viúvas experientes, tias temidas, avós com mais anos de casamento do que alguns países tinham de independência.

Sentavam a futura esposa numa esteira e começavam as aulas.
— Minha filha, marido é como carvão. Às vezes aquece, às vezes suja. Mas sem ele a comida não coze.
A jovem anotava tudo na memória.

Aprendia como responder ao marido sem parecer insolente.
Aprendia como reclamar sem provocar uma guerra civil doméstica.
Aprendia como fazer as pazes depois de uma discussão.
Aprendia até a arte delicada de estar zangada sem transformar o quarto do casal num estreito de ormuz.

As lições eram completas.
Havia até módulos de gastronomia conjugal.

A noiva era ensinada que o pescoço e a perna do frango era para o marido. A moela também tinha dono. Certos pedaços tinham destinos previamente definidos pela tradição, quase como se existisse uma Constituição Nacional dos pedaços do Frango.

E não f**ava por aí.
Ensinavam-lhe a cuidar dos enteados como se fossem seus biológicos filhos.
A respeitar os sogros.
A visitar os pais do marido.
A compreender que um casamento não era a união de duas pessoas, mas de duas famílias inteiras, incluindo aqueles parentes que aparecem apenas quando há comida ou problemas.

Naquela época os homens também não eram santos.
Iam beber cabanga.
Iam beber nipa.
Em Maputo alguns preferiam chamar aquilo de mal-coado e tontonto, talvez porque os nomes originais eram demasiado honestos.

Voltavam para casa em estado avançado de diálogo com os antepassados.
Entravam pela porta aos zigue-zagues.
Cumprimentavam as paredes.
Discutiam com uma cadeira.
E, não raras vezes, vomitavam pela sala inteira como se estivessem a fazer irrigação agrícola.

A esposa não pegava imediatamente no telefone para gravar vídeos.
Não fazia transmissão ao vivo.
Não publicava legendas indirectas.
Limitava-se a pegar num baldinho e num mopi.
E seguia atrás do marido limpando os estragos enquanto resmungava baixinho para não acordar as crianças.

No dia seguinte a vida continuava.
Ninguém era perfeito.
Nem ele.
Nem ela.
Mas ambos tinham aprendido que o casamento era uma construção diária.

Os anos passavam.
Os filhos cresciam.
Os netos chegavam.
E muitos daqueles casamentos duravam até que a morte viesse separar o casal.

Tudo começa com a chegada dos smartphones.
E chegou a internet.
Duas invenções extraordinárias.
Graças a elas falamos com familiares distantes.
Estudamos.
Trabalhamos.
Conhecemos o mundo.
Mas o mundo também passou a conhecer-nos.
E, pior ainda, passou a influenciar-nos.

Hoje uma jovem recebe mais conselhos de um desconhecido no TikTok do que da própria avó.
Um rapaz aprende mais sobre relacionamentos com um influenciador divorciado três vezes do que com um tio casado há quarenta anos.

As tias perderam audiência.
As avós perderam seguidores.
O kulaya perdeu espaço para os vídeos de quinze segundos.
Foi derrotado por pessoas que acordam de manhã para ensinar sobre casamento sem nunca terem conseguido manter um.

As antigas lições começaram a ser vistas como atraso.
Como coisa de velhos.
Como tradição ultrapassada.

A modernidade entrou pela porta da frente.
Mas nem sempre trouxe sabedoria na bagagem.

Hoje muita mulher sabe desbloquear telemóvel do marido
Poucas sabem desbloquear uma conversa difícil.

Muitas sabem apagar mensagens no chat .
Poucas sabem apagar ressentimentos.

Muitas conhecem palavras-passe do marido.
Poucas conhecem a palavra paciência.

Talvez o problema não seja a internet.
Nem os smartphones.
Talvez o problema seja termos abandonado algumas das lições antigas sem encontrar algo melhor para colocar no lugar.

Porque, no fundo, o kulaya ou se preferirem kupángwa nunca foi apenas sobre cozinhar frango, servir refeições ou agradar ao marido.
Eram escolas de convivência.

E convivência continua a ser uma disciplina difícil, mesmo na era do Wi-Fi.
Talvez esteja na hora de modernizar a tradição sem a destruir.
Porque um povo que perde completamente a sua memória corre o risco de transformar a sua sabedoria em simples curiosidade histórica.

E quando isso acontece, o kulaya deixa de ser uma herança.
Passa a ser apenas mais uma tradição qualquerizada.

Por: Moz Inquérito

13/06/2026
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