Entre Linhas

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Escrita entre linhas sobre trabalho, consciência, instituições e vida interior.

06/06/2026

O caminho para o inferno é pavimentado com boas intenções.

06/06/2026

Há tragédias que nos chocam não apenas pela crueldade, mas porque nos lembram de algo desconfortável: elas não acontecem em um mundo distante. Acontecem entre pessoas comuns.

Talvez por isso eu tenha dificuldade em aceitar a cultura do "deixa pra lá". Não porque eu acredite que todo comportamento inadequado levará a um crime. Não levará. Mas porque comportamentos não corrigidos tendem a se repetir. E aquilo que se repete tende a se fortalecer.

Ao longo da vida, já me vi obrigado a estabelecer limites em situações que muitos considerariam pequenas demais para merecer atenção. Uma agressão que não deveria ser ignorada. Um risco que não deveria ser tratado com descaso. Uma brincadeira que ultrapassou o limite do aceitável. Não porque eu esperasse o pior das pessoas. Mas porque aprendi que a convivência saudável depende de limites claros.

Corrigir não é necessariamente punir. Às vezes é conversar. Às vezes é orientar. Às vezes é simplesmente dizer: "isso não está certo".

A violência raramente começa pela violência. Antes dela, muitas vezes existem sinais que foram ignorados, comportamentos que foram normalizados e problemas que ninguém quis enfrentar.

Talvez a pergunta mais importante não seja como uma tragédia aconteceu. Talvez seja: quantas oportunidades tivemos de agir antes que ela acontecesse?

📝 Crônica completa disponível no Entre Linhas.

04/06/2026

Nota de motorista #30

Ontem cheguei em casa e encontrei um carro parado em frente à garagem.

A motorista era uma pessoa conhecida da igreja. Depois de alguns sinais de farol, ela percebeu e tirou o carro.

Nada grave. Mas fiquei pensando em como é fácil carregar símbolos da fé. Difícil é viver o que eles significam.

Porque o amor ao próximo não aparece apenas nas grandes decisões. Às vezes aparece em coisas pequenas: não bloquear uma garagem, não ocupar o espaço do outro, não agir como se o mundo girasse ao nosso redor.

Talvez o maior desafio da fé não seja parecer cristão. Seja lembrar de agir como um.

04/06/2026

Há pessoas que crescem acreditando que o mundo foi feito para servi-las. Não porque sejam más. Não porque tenham planejado isso. Mas porque, durante muito tempo, ninguém lhes ensinou o contrário.

03/06/2026

Hoje minha esposa me contou uma conversa que teve sobre o aniversário de dois anos do nosso filho.

A sugestão era começar a organizar uma festa. Ela respondeu que precisaria conversar comigo antes de decidir. Afinal, somos casados. Temos contas para pagar, uma filha a caminho, um enxoval para montar, móveis para comprar e o sonho de encontrar uma casa que acomode nossa família com mais dignidade do que o espaço improvisado onde moramos hoje.

Foi então que surgiu uma frase que ficou ecoando na minha cabeça: "ele não deveria ser orgulhoso." Mas existe uma diferença enorme entre orgulho e responsabilidade.

Orgulho é quando a pessoa se recusa a ouvir. Responsabilidade é quando ela entende que cada decisão tem consequências.

Eu adoraria poder dizer sim para tudo. Adoraria não precisar fazer contas. Adoraria viver num momento em que cada desejo pudesse virar realidade imediatamente. Mas a vida adulta raramente funciona assim.

Às vezes amar um filho significa fazer uma grande festa. Outras vezes amar um filho significa guardar dinheiro para aquilo que ele vai precisar amanhã.

A parte curiosa é que quem está de fora normalmente vê apenas a festa que não aconteceu. Não vê as noites fazendo contas. Não vê as preocupações. Não vê as renúncias silenciosas. Não vê o peso que existe sobre os ombros de quem precisa decidir.

Quanto mais penso nisso, mais chego à conclusão de que prudência e orgulho são coisas diferentes. A prudência olha para a realidade. O orgulho olha apenas para si mesmo.

E, nesta fase da nossa vida, com uma menina chegando e uma família inteira para sustentar, talvez a maior demonstração de amor não seja dizer "sim" para tudo. Talvez seja ter a coragem de dizer "vamos pensar primeiro".

Lições que chegaram tarde 02/06/2026

https://open.substack.com/pub/cronicasentrelinhas/p/licoes-que-chegaram-tarde?utm_source=share&utm_medium=android&r=798005

Lições que chegaram tarde Algumas verdades só fizeram sentido depois que boa parte da vida já havia acontecido

Photos from Entre Linhas's post 30/05/2026

Existe uma revolução silenciosa acontecendo.

Não é contra as mulheres. Não é contra os homens. É contra a ideia de que um homem precisa esconder a própria humanidade para ser respeitado.

Muitos homens cresceram ouvindo que deveriam engolir o choro, suportar tudo sozinhos e nunca demonstrar fraqueza. Mas aquilo que é escondido não desaparece. Às vezes vira silêncio. Às vezes vira raiva. Às vezes vira solidão.

Talvez a verdadeira força não esteja em endurecer. Talvez esteja em proteger sem controlar, liderar sem humilhar e permanecer humano sem sentir vergonha disso.

E talvez a revolução comece quando um pai olha para o filho e diz: "faça o melhor que você puder. Seja honesto. E, se as coisas não derem certo, eu vou estar aqui".

Porque homens não precisam ser perfeitos para serem amados. E filhos não deveriam precisar descobrir isso tarde demais.

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