Ediane Ribeiro
Emoções, comportamento, trabalho, relacionamentos, saúde e muito mais! Página administrada pela psicoterapeuta Ediane Ribeiro
18/06/2026
“Quando a gente pensa a questão do racismo no Brasil, é preciso saber que ele está muito ligado a como uma pessoa é lida socialmente como negra. Então quanto mais preta, mais desigual. O fato de eu ser uma mulher negra não retinta me deu uma “pseudo passabilidade” em alguns ambientes, que além de não se sustentar na página seguinte ainda me levou a uma dificuldade de compreensão das micro agressões raciais que já vivi."
Esse foi um dos trechos marcantes da deliciosa que dei ao Paulo Lima para o TRIPfm e a qual hoje dedico esse tbt.
Nela, falei sobre história pessoal, sobre o trabalho com trauma, sobre o impacto das redes na saúde mental, questões raciais e muito mais.
Um outro ponto alto da nossa conversa foi sobre saúde e trabalho. Falamos de como o universo corporativo precisa de uma revisão urgente para que o trabalho deixe de ser um ambiente em que as pessoas vão, pouco a pouco, sendo derrubadas como peças de um tabuleiro.
A entrevista continua disponível em TRIPfm no Spotify e no site da Trip.
Será que gosto de agitação ou estou tão assustada que “relaxar” parece perigoso?
Como saber que se está preparado para voltar ao trabalho após licença médica por burnout?
Hoje é dia dos namorados, mas essa é uma reflexão que faço para todos os tipos de relacionamento e não apenas para as relações românticas.
Ao mesmo tempo em que conseguimos ampliar discussões importantes sobre relacionamento saudável, abusos e violência, parece que a era dos algoritmos e dos manuais de como agir também vem nos empurrando para uma atrofia relacional.
Passamos a ir para os relacionamentos como consumidores e não como pessoas em busca de conexão. E como consumidor, se o produto não atende todas as nossas expectativas, o descarte ou a troca são opções facilmente consideradas.
E assim qualquer um é facilmente descartável e substituível.
Relações de amizade, de parceria amorosa e até de trabalho que poderiam amadurecer e ficar melhores após momentos de reajustes se dissolvem em mensagens não respondidas e afastamentos nem sempre compreensíveis.
Em um dia que se comemora o amor, vale lembrar que amor exige exercício. Bora exercitar?
11/06/2026
Vivemos uma verdadeira epidemia de solidão. É o que afirmam pesquisas, autores e o que sentem muitas e muitos de nós.
Na minha última coluna na Revista Vida Simples abordei uma das dimensões desse fenômeno: a cultura da performance transformou relacionamento em sobrecarga.
Na era da cobrança por hiper produtividade, por imagens impecáveis, resultados a qualquer custo, por parecer mais do que ser, ficamos sem respiro para existir dentro de nossa humanidade, que é cheia de contradições e incoerências.
Você performa no trabalho e nas festas, as amizades se tornam utilitárias e até os amores te exigem “entregas” que se assemelham mais com metas que com conexão.
Tudo isso nos coloca em estado de tensionamento mesmo nas relações que poderiam ser revigorantes pra nós.
Não demora muito para que o sistema corpo-mente comece a associar relacionamento com sobrecarga e com o excesso a ser cortado.
O problema é que quando cortamos o essencial achando que é supérfluo, é a saúde e a organização social que pagam a conta.
Por isso, a solidão da era moderna não é um problema apenas individual. É algo que precisa ser debatido coletivamente para que criemos condições de nos dedicarmos uns aos outros e a nós mesmos sem que isso pareça um excesso ou um privilégio.
Estresse por si só não gera dano. Nosso organismo é preparado para viver emoções intensas e ser requisitado diante de situações desafiadoras. O problema é entrar nesse estado e não sair dele.
Quando passamos a normalizar a sustentação de cargas crônicas de estresse, passamos também a premiar não parar, fazer mais e mais, desconsiderar as próprias emoções, negligenciar relacionamentos e, com isso, criamos um fenômeno social de traumatização coletiva que vai se apresentar na forma de burnout, ansiedade, depressão e também de adoecimentos físicos.
O colapso em saúde mental é a resposta mais saudável que podemos apresentar para um tipo de organização social que nos desumaniza.
09/06/2026
Vivemos uma mudança importante na forma de compreender o comportamento humano dentro das organizações.
Durante muito tempo, as empresas tentaram responder a desafios como burnout, ansiedade, conflitos, absenteísmo e desengajamento olhando apenas para processos, metas e performance.
Mas pessoas não funcionam como planilhas.
Por trás de comportamentos que costumam ser classificados como "falta de comprometimento", "resistência", "reatividade" ou "dificuldade de adaptação", é frequente que existam corpos e sistemas emocionais sobrecarregados tentando lidar com níveis elevados de estresse.
Em um momento em que o adoecimento emocional se torna um dos maiores desafios do mundo do trabalho e em que a própria NR-1 passa a exigir um olhar mais atento para os riscos psicossociais, a compreensão do estresse traumático no trabalho deixou de ser um tema exclusivamente clínico para se tornar uma competência de liderança.
Nos dias 2 e 3 de junho, pude levar essa conversa para as lideranças do Detran RS, em Porto Alegre, por meio do treinamento "Revolução Humana: Como liderar pessoas em contextos de traumatização".
Foram dois dias de reflexões profundas sobre saúde mental, riscos psicossociais, regulação emocional, segurança psicológica e os desafios de liderar pessoas em um cenário de crescente complexidade, sem ultrapassar limites e nem assumir responsabilidades que não são da liderança.
Agradeço à equipe de RH do DETRAN RS pela coragem de trazer um tema tão atual e necessário para dentro da organização e a todos os participantes pela presença, escuta e envolvimento ao longo do processo.
Em tempos de revolução tecnológica, a capacidade de liderar pessoas e não apenas gerir resultados definirá muito do futuro do trabalho.
E as organizações que entenderem isso primeiro estarão mais preparadas para enfrentar os desafios humanos, culturais e regulatórios que já fazem parte do presente do trabalho.
Quando trocamos a linguagem das emoções pela linguagem da ação e do pensamento, perdemos as informações que a raiva, a tristeza, o medo, a alegria, a paz, a aversão, o ciúme, a inveja e todos os sentimentos vem nos trazer.
E o corpo, como saída, transforma sentir em sintoma.
Regulação emocional não é supressão, repressão nem anestesia emocional. Ao contrário, é a recuperação da habilidade para reconhecer como o que vivemos nos afeta e utilizar a “assinatura” específica de cada emoção para nos direcionar a melhores escolhas: reposicionamento de limites, autoproteção, encontro, conexão, introspecção, processamento de lutos e perdas e assim por diante.
Poucas coisas conseguem sustentar a verdade quanto o encontro olho no olho com tempo para falar e ouvir, em um ambiente seguro para que vulnerabilidade e emoção possam coexistir.
Essa é a proposta da imersão Continente Emocional, um encontro intimista e profundo que une conteúdo e vivências voltadas para a regulação emocional, ansiedade e limites pessoais.
A primeira edição aconteceu no dia 30 de maio no Rio de Janeiro e eu ainda estou processando tudo que vivi com esse grupo belo, diverso e potente. Ofereci o meu conteúdo e a minha experiência, mas recebi muito em troca. Vocês se deixaram em mim!
Até a próxima edição. Me conte que cidade você gostaria de ter esse evento?
“Você parece outra pessoa fora do trabalho!”
Se você já escutou essa afirmação de pessoas com quem trabalha, é provável que assim como eu, você também saiba do que essa liderança estava falando quando em um bastidor de evento me disse que costuma ouvir essa afirmação de seus liderados quando os encontro em momentos de diversão fora do trabalho.
Caber na cultura.�
Caber no cargo.�
Caber na expectativa.�
Caber no ritmo.�
Caber no personagem que aquele ambiente parecia exigir.
Você começa a editar pedaços de si para sobreviver: cala as necessidades, endurece a sensibilidade, silencia valores e emoções, performa versões mais aceitáveis, mais produtivas, mais palatáveis. Até que um dia percebe que esse modo de operação funcional está te sufocando.
Se nesse caminho de se abandonar pra sobreviver profissionalmente você teve pessoas sob sua coordenação é provável que muitas delas tenham sentido os impactos da sua fragmentação antes de você.
Para a construção de ambientes de trabalho que não representem risco à saúde mental todo mundo tem um papel na novela: as pessoas precisam individualmente se comprometer com a própria inteireza de identidade e as organizações na figura de seus gestores precisa ter diretrizes claras para promover espaços em que as pessoas não precisem se abandonar para sobreviver profissionalmente.
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