Falando em Forró

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28/04/2026

CRÍTICA: O FORRÓ É DE QUEM?

Nas últimas semanas, o forró voltou a discutir um tema delicado: afinal, de quem são as músicas? A pergunta não é nova, mas ganhou força com casos recentes que expõem um conflito cada vez mais comum entre história, interpretação e direitos legais.

Um dos episódios mais comentados envolve a banda Desejo de Menina e o projeto Seu Desejo, liderado por Yara Tchê e Alessandro Costa. Após anos interpretando um repertório que marcou época, os cantores foram impedidos de registrar oficialmente essas músicas nos streamings, sob a justificativa de que os direitos de gravação pertencem à administração da banda original. Situação parecida ronda o projeto Seu Mastruz, com Neto Leite, Ingrid Souza e Larissa Ferreira, que, ainda que de forma indireta, também sugerem dificuldades em revisitar repertórios que ajudaram a popularizar.

O debate ganhou mais um capítulo com o DVD de Kátia Cilene e Aduílio Mendes. Ícones de uma fase histórica da Mastruz com Leite, a dupla lançou um audiovisual que, curiosamente, não contempla músicas desse período. Sem declarações oficiais, o silêncio levanta questionamentos — especialmente considerando que grande parte desse repertório está ligada à editora Passarela, do grupo Som Zoom.

Diante desses casos, a discussão se amplia: a quem pertence, de fato, uma obra forrozeira? Ao compositor que escreveu? À banda que registrou? Ao empresário que investiu? Ou à voz que eternizou e criou conexão com o público? Na prática, a resposta jurídica costuma ser clara. Mas, culturalmente, ela é muito mais complexa.

Porque o forró não vive só de contratos. Ele vive de memória, de identificação e de interpretação. E é justamente nesse ponto que o impasse aparece: quando o direito legal se distancia do sentimento do público, quem perde é o próprio movimento.

Talvez não exista uma resposta simples. Mas existe um desejo evidente: que o forró continue acessível, vivo e sendo interpretado com qualidade — seja por quem escreveu, por quem gravou ou por quem marcou a história no palco. No fim, mais do que propriedade, o que está em jogo é a continuidade de um patrimônio que sempre foi coletivo. 🪗

C.F

19/04/2026

O nome dela é Francilene e o hino chama Lua Solidão, um dos maiores sucessos da história do forró e a melhor formação do forró 🪗❤️

14/04/2026

REVIEW: O ano é de Walkyria Santos e você não percebeu

Existe algo acontecendo no forró em 2026 que talvez tenha passado despercebido por muita gente: o ano é de Walkyria Santos. Dona de uma voz inconfundível e de uma trajetória marcada por clássicos, a cantora segue em ritmo intenso na carreira solo e só este ano já entregou três trabalhos que mostram não apenas consistência, mas visão artística.
O primeiro deles, o DVD Ao Vivo na Festa da Luz, em Guarabira, é uma aula de como revisitar a própria história sem perder identidade. O repertório passeia pelos grandes sucessos da época de Magníficos e da carreira solo, mas ganha roupagens modernas, sem descaracterizar a essência que o público ama. A produção é bonita, o público responde com energia e Walkyria reafirma por que é uma artista única. E mais: ela não se limita ao esperado. Novos covers e interpretações ampliam o alcance do show, agradando tanto quem já acompanha há anos quanto quem está chegando agora.
Na sequência, ela apresenta um projeto criativo e extremamente eficiente: 10 Minutos de Forró. A proposta é simples, mas poderosa, uma sequência contínua de clássicos em uma única faixa, resgatando músicas conhecidas que muitas vezes nem estavam registradas nas plataformas em sua voz. O resultado é impressionante. Walkyria transforma dez minutos em uma experiência fluida, quase hipnótica, condensando anos de emoção em uma interpretação leve, envolvente e muito bem conduzida.
Fechando essa trinca, vem talvez o trabalho mais sensível: Wal na Feira. Gravado na feira municipal de Monteiro-PB, sua terra natal, o projeto segue uma tendência forte de aproximação com o povo — mas aqui ganha um peso simbólico ainda maior. É Walkyria voltando à origem, cantando em meio ao cotidiano, interpretando clássicos do forró tradicional e dialogando diretamente com a obra de Flávio José. É simples, é bonito e é profundamente verdadeiro.

01/04/2026

O forró é POP e ponto!

Existe uma ideia que precisa deixar de ser defendida e passar a ser afirmada com naturalidade: o forró é pop. E o que vimos no São João de 2025 só reforçou isso. Projetos como o “Forró e Vaquejada”, de Wesley Safadão, mostraram como revisitar clássicos pode ir muito além da nostalgia. É sobre reposicionar o forró no presente, conectando gerações e ampliando o alcance do gênero.
Esse movimento não é isolado. Xand Avião já vem há algum tempo apostando nessa mesma linha, com álbuns e EPs que reforçam que o forró dialoga perfeitamente com o agora, com o digital, com os grandes palcos e com o público jovem. E quando artistas desse porte puxam esse discurso, o efeito é natural: outros nomes seguem o caminho. Foi assim com Márcia Fellipe, que trouxe o projeto Forró e Mulher, e com Taty Girl, que consolidou o Baú da Taty Girl como uma ponte entre passado e presente.
O ponto em comum entre todos esses trabalhos é claro: eles resgatam músicas que muitos insistiam em chamar de “antigas” e devolvem essas canções ao lugar onde sempre deveriam estar, o presente. São clássicos que voltam a respirar, crescem nos streamings, viralizam nas redes e passam a fazer parte da rotina de uma nova geração. Isso não é saudosismo. É atualização de legado.
O forró cresceu, evoluiu, amadureceu e talvez esteja vivendo uma de suas fases mais interessantes. Ao mesmo tempo em que honra sua história, ele conversa com novas sonoridades, como o piseiro e a pisadinha, ampliando ainda mais seu alcance. E esse movimento precisa continuar sendo impulsionado, especialmente nas festas juninas, que seguem como o grande palco dessa mistura entre tradição e novidade.
Em 2026, os sinais já estão aí. O repertório da Brucelose volta a ganhar força, regravações de Zé Vaqueiro surgem com impacto e outras músicas começam a encontrar seu espaço. Mas, para que isso se consolide, é fundamental que o movimento seja coletivo , com vozes masculinas e femininas ocupando espaço e mostrando a diversidade que sempre fez parte do forró.

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24/03/2026
15/03/2026

De vez em quando o forró prova que certas histórias simplesmente se recusam a terminar. Em 2026, uma tendência curiosa começa a ganhar força: o retorno das duplas. Aquela fórmula clássica que marcou tantas fases do gênero volta a aparecer em novos projetos, reacendendo a memória de quem viveu grandes momentos e despertando curiosidade em quem está chegando agora.

Alguns retornos têm chamado bastante atenção. É o caso de Silvânia Aquino e Berg Rabelo no projeto Duas Paixões, reunindo duas vozes marcantes do forró romântico. Também há reencontros que carregam muita história, como Kátia Cilene e Aduílio Mendes, nomes que ajudaram a construir capítulos importantes do gênero. E ainda vemos combinações interessantes dentro de projetos atuais, como Alessandro Costa e Yara Tchê na banda Seu Desejo.

Ao mesmo tempo, o movimento também abre espaço para experiências mais curiosas. Surgem projetos com nomes que causam estranhamento inicial, como Seu Mastruz, reunindo vozes como Ingrid Souza, Neto Leite e Larissa Ferreira, ou iniciativas como Seu Canários, que reúne ex-integrantes da clássica Canários do Reino. São propostas que misturam nostalgia com tentativa de reinvenção.

Mas o sucesso dessas voltas não depende apenas da saudade. A melhor dupla sempre será aquela que reúne três ingredientes fundamentais: talento, bagagem sólida e inteligência de mercado. Não basta apenas reviver um nome ou apostar na lembrança do público. É preciso apresentar novos trabalhos consistentes, um repertório que dialogue com os clássicos e, ao mesmo tempo, traga frescor para outras gerações.

Existe demanda — isso é evidente. Mas o nome do projeto, o tom da proposta, o repertório e um marketing bem pensado fazem toda a diferença para que a iniciativa não soe ultrapassada ou, pior, como uma cartada de desespero. Se esse equilíbrio acontecer, talvez estejamos diante de uma tendência real. E, no fim das contas, é exatamente isso que quem ama forró quer ver: novos hits surgindo, memória respeitada e uma temporada junina cheia de forró de qualidade — do antigo e do atual.

🔄 👍🏻 Curtiu? Compartilha e manda pra alguém. Vamos levar o forró pro mundo 🪗

10/03/2026

Quem acompanha o forró há algum tempo talvez nunca imaginasse que as redes sociais modernas ajudariam a resgatar tantos clássicos. Mas é exatamente isso que está acontecendo. Em meio a vídeos curtos, trends e algoritmos, muitas músicas antigas estão encontrando um novo público — e voltando a circular com uma força que lembra os tempos de rádio e CD.

Um dos casos mais claros é “Beijo, Blues e Poesia”, clássico da Desejo de Menina que voltou a ganhar enorme visibilidade depois de viralizar nas redes e ganhar uma nova gravação da banda Seu Desejo. De repente, uma música que marcou uma geração passou a ser descoberta por jovens que talvez nunca tivessem ouvido falar dela.

Algo parecido aconteceu com “Brincar de Amar”, da banda Cavalo de Pau, que voltou a circular com força depois da regravação feita pela Mastruz com Leite no projeto Acústico Volume 2. Aquela canção que embalou tantas histórias nos anos 90 reapareceu nas playlists e nos vídeos de milhares de pessoas.

Mais recentemente, outro fenômeno chamou atenção: “Ficar por Ficar”, da banda Brucelose. A música — que dialoga com o clássico “Eyes Without a Face” do cantor Billy Idol — voltou a ganhar destaque depois de um cover das cantoras Ingrid e Larissa, da banda Seu Mastruz, circular nas redes e despertar curiosidade sobre a versão original.

Outro exemplo interessante aconteceu no ano passado, quando Wesley Safadão trouxe de volta “Doce Pecado”, música eternizada no forró por nomes como a cantora Valda Sedycias e também pela Brucelose. A canção, que já era um clássico desde os anos 90 e faz parte do repertório histórico do grupo pernambucano, ganhou nova exposição com essas releituras e voltou a circular entre o público.

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06/03/2026

Banda de Forró “sabor” original

Mudanças em bandas de forró nunca foram novidade. Quem acompanha o movimento há anos sabe que formações vão e vêm, vozes se alternam, propostas visuais se transformam. Dias atrás, comentando sobre a nova formação de uma banda consagrada, me peguei refletindo sobre isso. O novo sempre chega (já dizia o poeta) mas a forma como ele chega faz toda a diferença.

Para quem viveu fases marcantes, há dois caminhos quase automáticos: abraçar a novidade com entusiasmo ou rejeitá-la com desconfiança. Eu proponho um terceiro. Nem euforia cega, nem resistência automática. O caminho do equilíbrio. O caminho de observar se as novas vozes, a nova postura de palco, o novo marketing e até o novo repertório respeitam a trajetória construída.

Quando pensamos em bandas como Limão com Mel ou Magníficos , não estamos falando apenas de CNPJs ou agendas de shows. Estamos falando de memória afetiva. De músicas que marcaram relacionamentos, fases da vida, festas de cidade, viagens de ônibus lotadas cantando em coro. Isso não é só catálogo. Isso é patrimônio emocional.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer: o forró também é indústria. Existe empresário, escritório, investimento, estratégia. E não há problema nisso. O problema começa quando a identidade vira apenas embalagem e a história passa a ser usada como slogan vazio. Modernizar não é apagar. Renovar não é descaracterizar.

Quem ama o forró entende que ele é mais que produto. É cultura viva. E cultura precisa evoluir, mas sem romper com suas raízes. O equilíbrio está justamente em cobrar respeito à história sem impedir o movimento natural do tempo.

No fim das contas, a pergunta não é se a banda mudou. A pergunta é: a essência continua ali? Se a resposta for sim, o novo merece chance. Se não for, o público, que é quem sustenta tudo, sempre saberá perceber.

03/03/2026

🪗 Manifesto Oficial — Falando em Forró

Eu nasci onde o forró não é apenas música — é identidade. Sou filho de Caruaru, a eterna Capital do Forró.

O forró não entrou na minha vida. Ele sempre esteve no meu sangue!

Cresci ouvindo as sanfonas que ecoavam de Luiz Gonzaga, as poesias de Flávio José, a força de Maciel Melo, o regionalismo de Jorge de Altinho, a assinatura romântica de Petrúcio Amorim.

Vivi a explosão de bandas como Mastruz com leite, Forró Maior, Limão com Mel, Magníficos, Calcinha Preta, Brasas do Forró, Aviões do Forró e tantas outras.

Eu vi o forró mudar.

Eu vi o forró crescer.

Eu vi o forró ser questionado.

E eu vi o forró resistir.

Estive na internet desde 2002, quando opinião era escrita em blogs, quando discussão tinha argumento e memória tinha espaço. Mantive uma das maiores páginas de forró do país. O tempo passou. A internet mudou. O formato mudou. Mas o amor não mudou.

A Falando em Forró nasce (ou renasce) como um espaço de memória, opinião e respeito. Aqui não existe guerra entre o antigo e o novo. Existe contexto. Existe história. Existe análise. Existe paixão.

Falando em Forró não é sobre números.

É sobre identidade nordestina.

É sobre preservar raízes.

É sobre discutir com responsabilidade.

É sobre celebrar a cultura que faz a gente ter orgulho de ser quem é.

Se hoje o ritmo corre em vídeos rápidos, nós também estaremos lá. Mas sem perder profundidade. Sem perder verdade.

Sem perder a sanfona.

Porque o forró não é tendência.

O forró é patrimônio emocional!

Aqui vamos:

🪗 Resgatar clássicos esquecidos

🪗 Debater fases e transformações

🪗 Reverenciar quem construiu o movimento

🪗 Analisar o presente com consciência

🪗 Valorizar o Nordeste sem caricatura

Se você vive o forró.

Se você respeita o forró.

Se você dança, canta, argumenta ou sente.

Esse espaço é seu.

Falando em Forró não é só uma página.

É um posicionamento.

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Recife, PE