Nina Rizzi
escritora, tradutora, pesquisadora e editora Nina Rizzi é uma pesquisadora, poeta e tradutora brasileira.
PUBLICAÇÕES:
£ tambores pra n'zinga (poesia), Editora Multifoco, 2012
£ caderno-goiabada (prosa-ensaística), Edições Ellenismos, 2013
£ Susana Thénon: Habitante do Nada (tradução), Edições Ellenismos, 2014
£ A Duração do Deserto (poesia), Editora Patuá, 2014
£ ¡Ah, si yo fuera Maradona! - Romério Rômulo (versão em espanhol e glossário), Edições Dubolsinho, 2015
£ geografia dos ossos (poesia), Editora Douda Correria Portugal, 2014
08/03/2026
há 15 anos fazia eu bambulim de n’zinga em angola.
15 anos, e toda a história do capitalismo, toda a história da misoginia; e a raça chegando antes, rasgando tudo.
desde que cheguei aqui, sigo a dizer as mesmas coisas.
25/02/2026
👩🏽🌾experimentando
processos
diálogos
tintas
outras
08/02/2026
~
no começo, eram as ovas.
o mundo era então a represa barrenta
na ponta dos dedos, o barro, pra dar pé
as mãos tracejando vagarosamente os limites
onde tudo era lodo.
e as ovas.
amei pela pele
não sabia o que eram ovas
nada do que espocava com profunda
delicadeza, vontade
entre os dedos
pelas pernas
eu esmaguei de amor
a primeira coisa que amei.
~
05/02/2026
chove em fortaleza💔
“lógico eu você é intensa, mãe: você é poeta☀️
04/02/2026
~
estar sem estar sendo
quando o mundo parar de acabar
algumas coisas não vão mudar
vou bater na sua porta
e sair correndo
te deixar poemas
fotografias
garrafas de água
frutas
- tangerinas
- caquis
- mangas
essas frutas que nos lambuzam
[outras vão]
às vezes eu também
bem nua
bem nua
será leve o amor
pesado só o meu hálito a cigarro
minhas mãos encontrando seus ossos
e as delias
as flores todas grandiosas
que poderemos inventar
com nossas línguas
poderemos?
[publicado em “escritas em pandemia, 2020. org. alice dote, glória diógenes e lara denise silva; ilustrações de alice dote.]
02/02/2026
~odoyá🩵
01/02/2026
~
eu iria fazer uma poema
cujo título seria
me leva pra passear na avenida
capuchinho de catânia?
garrei imaginando imagens ruas cajuínas
as mãozinhas coladinhas rindo tombando
passeando pelos postos bares becos escuros
porque não tem motel não tem hotel
nem vamos alugar uma casa uma salinha
na avenida capuchinho de catânia
imagens ruas cajuínas
tão singelas tão quentes
então você disse faça isso não
e garrei lembrando os prédios
as gentes os calores
e quando você ia dormir
na casa de uma moça
nem tão singela nem tão quente
a despencar a despencar
pra sempre você ia
na avenida capuchinho de catânia
*
27/01/2026
~
diáspora não é lar, 2025
13/01/2026
~
há um movimento bonito em torno da escrita que é a continuidade da escrita. quando lemos um livro, estamos lendo também outros mundos: da autoria, da história e do presente, do nosso mundo-dentro.
há muitos livros que regularmente releio porque existe ali uma chispa que me dispara para essa continuidade: me põe em comunhão e me dão vontade de escrever, me inscrever.
hoje me deparei com essa alegria de chispa em minha própria diáspora: faz sua leitura mais que literária: uma leitura de mundo e de si - o que aliás é bem próprio desse poeta e agente cultural.
assim escrevemos a sangue e suor e seiva nosso distintivos que não são números numa casa em uma determinada rua: lar é nóis que faiz.
gracias, talles, por existir nesse mundo não somente com delicadeza e amor o bastante, com lança-chamas também.
~ o link para o texto completo está no destaque “diáspora 3”.
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