Luanda Post

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12/06/2026

Angola integra o grupo de 60 países cujos produtos passarão a enfrentar tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos da América, devido a preocupações com a falta de medidas eficazes no combate ao trabalho forçado.

A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio, visa penalizar países por falhas na fiscalização e proibição de bens produzidos com trabalho forçado. No caso de Angola, a tarifa será de 12,5%, mesma taxa aplicada a outros 44 países, entre os quais Brasil, China e Índia.

As conclusões surgem após uma investigação iniciada em março, que concluiu que os 60 países “não conseguiram impor uma proibição legal à importação de bens produzidos com trabalho forçado nem aplicar eficazmente tal proibição”, segundo um porta-voz do Departamento do Comércio dos EUA. A lista representa cerca de 99,4% de todas as importações norte-americanas.

12/06/2026

O empresário Henrique Miguel Riquinho, um dos maiores promotores de eventos em Angola, voltou a atacar publicamente Isabel dos Santos, filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos.

Em declarações públicas, Riquinho afirmou que, “nos olhos do povo”, Isabel pode ser vista como “boa pessoa”, mas que, para ele e para outros empresários, a considera uma “víbora” e uma “raposa”.

Segundo o empresário, a filha do ex-presidente teria, ao longo do tempo, “pisado muita gente”, apontando alegações graves como invasão de terrenos e prejuízos a terceiros.

Entre os casos mencionados, Riquinho afirmou ter pago 500 mil dólares pela vinda da artista Missy Elliott a Angola, mas que depois a cantora cobrou mais de um milhão de dólares, ficando com o valor prejuízo que atribui a Isabel dos Santos.

O empresário acrescentou ainda que não consegue entrar nos Estados Unidos da América devido, segundo ele, a intrigas que atribui a Isabel dos Santos. Por fim, Riquinho prometeu fazer de tudo para impedir qualquer avanço político de Isabel, afirmando que não quer vê-la em posições de liderança em Angola.

12/06/2026

O Ministério Público junto do SIC/Luanda emitiu um mandado de apreensão referente a 20 apartamentos no condomínio Esmeralda, Talatona, usurpados pela ex-miss Angola Giovana Pinto Leite através de um esquema de corrupção e falsificação de escrituras públicas emitidas pelo Cartório Notarial de Viana. O mandado foi assinado pelo magistrado Raimundo José Francisco Martins.

Os imóveis pertencem às sociedades Camomila, Vista Lar e Azul Marinho, cujos representantes, Carlos Alberto dos Santos e Rui Jorge Teixeira da Costa Reis — ex-marido de Giovana Pinto Leite — não se encontravam no país à data dos factos. A própria Giovana acabou por admitir publicamente que Rui Costa Reis é “o grande mentor desta embrulhada”, referindo que o comportamento do ex-marido se agudizou após o seu casamento em setembro de 2024.

Quando os representantes das imobiliárias tentaram regularizar a situação fiscal dos imóveis, descobriram que todos os 20 apartamentos já se encontravam inscritos na matriz fiscal em nome de Giovana Pinto Leite.

O escândalo levou ao encerramento do Cartório Notarial de Viana em março de 2025 e à expulsão do notário Sala Fumuassuca Mário dos quadros do Ministério da Justiça. Os ocupantes dos imóveis foram notificados para comparecer no SIC/Luanda a 15 de junho.

11/06/2026

Centenas de toneladas de coltan extraído ilegalmente no leste da República Democrática do Congo pelos rebeldes da AFC/M23 foram lavadas no Rwanda e exportadas para fundições que abastecem gigantes tecnológicos mundiais. A conclusão é de uma investigação da ONG Global Witness, publicada a 10 de Junho.

O grupo armado AFC/M23, apoiado por Kigali e pelo exército ruandês, controla desde 2021 vastas áreas do leste da RDC, incluindo a cidade mineira de Rubaya, cujos depósitos fornecem 15% da produção mundial de coltan. Segundo especialistas da ONU, cerca de 120 toneladas foram exportadas mensalmente para o Rwanda entre Maio e Outubro de 2024.

A Global Witness comprovou a “cumplicidade de autoridades ruandesas” no esquema, num momento em que as exportações de coltan do Rwanda mais do que duplicaram nos últimos três anos. O mineral contrabandeado é misturado com produção local para dissimular a sua origem, seguindo depois para fundições na China e no Cazaquistão, onde é transformado em tântalo — metal essencial para condensadores presentes em smartphones, computadores e implantes médicos.

“O coltan proveniente de conflitos pode ter chegado a marcas como a Microsoft, a Amazon, a Apple, a Sony, a Nvidia e a Toyota”, conclui a ONG, sublinhando que os sistemas de rastreabilidade destas empresas “não conseguiram identificar o coltan de conflito nas suas cadeias de abastecimento.”

A questão que o relatório deixa em aberto é incómoda: ignorância ou conveniência?

11/06/2026

Barrado pelos Estados Unidos com acusações de ligações ao terrorismo, o árbitro somali Omar Artan recebeu esta semana uma resposta à altura: a UEFA nomeou-o para dirigir a Supertaça Europeia de 2026, um dos jogos mais prestigiados do calendário do futebol europeu.

O encontro entre o Paris Saint-Germain, campeão da Liga dos Campeões, e o Aston Villa, vencedor da Liga Europa, realiza-se a 12 de Agosto, em Salzburgo, na Áustria. Ao confiar-lhe este jogo, a UEFA envia uma mensagem clara sobre a confiança que deposita no árbitro africano do ano em 2025.

A nomeação surge dias depois de Artan ter sido impedido de desembarcar no Aeroporto Internacional de Miami, num voo proveniente de Istambul. A agência de Alfândega e Protecção de Fronteiras dos EUA alegou ter descoberto “informações desfavoráveis, incluindo associação com suspeitos de integrar organizações terroristas.” O incidente forçou o seu afastamento do Mundial FIFA 2026.

Nenhuma acusação formal foi tornada pública. Nenhuma prova foi apresentada. O visto de Artan havia sido emitido dias antes pela Embaixada da Somália no Quénia — pelo mesmo Governo norte-americano que depois o barrou à chegada.

Para a UEFA, Artan é árbitro de um dos maiores jogos do verão europeu. Para as autoridades norte-americanas, é uma ameaça à segurança nacional.

11/06/2026

Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, a UNITA aposta na projecção internacional como estratégia política, investindo em operações de lobby em Washington e Bruxelas, numa tentativa de construir capital diplomático fora do país que compense as fragilidades internas da oposição angolana.

O partido de Adalberto Costa Júnior contratou a empresa norte-americana AO Development Company para facilitar contactos junto do Congresso dos EUA, da Administração americana, de think tanks e meios de comunicação. O contrato, registado ao abrigo da lei norte-americana de registo de agentes estrangeiros (FARA), totalizou 16.000 dólares — um valor modesto face aos milhões investidos pelo Estado angolano em empresas como a Squire Patton Boggs e o BGR Group para promover os interesses do Governo de Luanda em Washington.

A aposta da UNITA no lobby internacional não é nova. Nos anos 80, Jonas Savimbi recorreu à firma Black, Manafort, Stone and Kelly para garantir apoio directo da administração Reagan e financiamento da CIA. Hoje, o contexto é diferente, mas a lógica mantém-se: influenciar a narrativa sobre Angola nos centros de decisão ocidentais.

A estratégia internacional contrasta com a realidade interna. A dois anos das eleições, a oposição angolana não apresentou ainda um programa de governo estruturado capaz de constituir alternativa credível ao MPLA. Enquanto a UNITA investe em lobistas estrangeiros, o partido no poder prepara-se para o 9.º Congresso Ordinário em Dezembro de 2026 — evento que definirá o seu candidato presidencial e a estratégia para 2027.

A questão que se coloca é simples: se os recursos são canalizados para influenciar capitais estrangeiras, que espaço resta para construir uma proposta política dirigida aos eleitores angolanos? Em 2027, serão estes — e não Washington — a decidir quem governa Angola.

11/06/2026

O artigo 121.º dos novos Estatutos do MPLA, aprovados no VIII Congresso Extraordinário de Novembro de 2024, é inequívoco: “Os candidatos a Presidente e Vice-Presidente da República são designados pelo Comité Central, sob proposta do Bureau Político, nos termos dos Estatutos.”

A norma, inserida no Capítulo XI — dedicado à relação entre o Partido e os Órgãos do Poder Público — representa uma alteração de fundo na arquitectura de poder interno do MPLA. A decisão sobre quem lidera Angola deixa de estar concentrada numa só figura para passar a ser tomada colegialmente pelo órgão máximo do partido entre congressos.

Ao atribuir ao Comité Central o poder de designar os candidatos presidenciais, os novos estatutos institucionalizam uma lógica colegial que se estende também à escolha dos candidatos a Deputados à Assembleia Nacional, nos termos do artigo 120.º.

Na prática, nenhum militante — nem o próprio Presidente da República em exercício — tem garantida automaticamente a candidatura à chefia do Estado. A escolha passa a resultar de um processo interno que confere ao Comité Central um papel determinante na definição do rosto do MPLA nas eleições gerais de 2027.

O mecanismo será testado no 9.º Congresso Ordinário, marcado para 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, sob o lema “MPLA 70 anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”, com três mil delegados de todo o país e da diáspora.

É nesse congresso que o Comité Central deverá exercer pela primeira vez a prerrogativa de designar o candidato do MPLA à Presidência — uma decisão que já não pertence exclusivamente a João Lourenço.

11/06/2026

Ao aprovar uma nova lei do referendo — condição necessária para que Félix Tshisekedi possa consultar os cidadãos sobre a sua continuidade no poder por mais cinco anos — a Assembleia Nacional concretiza uma etapa central do plano do Presidente congolês.

O sistema político da RDC exige que o projecto de lei percorra ainda o Senado, onde analistas em Kinshasa antecipam aprovação tranquila, dada a influência que Tshisekedi aí detém. Concluído esse processo, caberá ao próprio Presidente sancionar a lei, abrindo caminho a uma nova Constituição que poderá, em teoria, liberá-lo de quaisquer limitações futuras.

A votação na câmara baixa realizou-se na terça-feira, dia 9, com 348 dos 500 deputados presentes, após o boicote da oposição, que acusa o Presidente e o seu partido, o PDUS, de nutrir “intentos ditatoriais”. O Senado, com 108 senadores, deverá pronunciar-se dentro de duas a três semanas.

O segundo mandato de Tshisekedi termina em 2028. O plano para o contornar tornou-se público em Maio, quando declarou estar disponível para continuar “se for essa a vontade popular” — linguagem que a oposição leu imediatamente como uma manobra para se perpetuar no poder. “Deixou cair a máscara”, reagiu o deputado Delly Sesanga. A oposição convocou sucessivos protestos, culminando numa greve geral a 3 de Junho, denunciando um “golpe constitucional” em curso.

O historial africano é elucidativo: tentativas semelhantes na Costa do Marfim, Chade, Gabão ou Camarões geraram violência e instabilidade profunda. No Congo, país já fragilizado pela guerra no leste, o risco é ainda maior.

11/06/2026

Empresária afirma ter tido três pedidos rejeitados para depor, mas especialistas em direito rejeitam a versão como manipulação.

Isabel dos Santos afirmou publicamente ter visto recusados três pedidos para ser ouvida no processo em que está acusada por crimes de corrupção. A declaração gerou reação imediata de juristas, que classificam a versão como distorcida.

Segundo especialistas em direito processual penal angolano, nenhum sistema judicial funciona “à la carte” — ninguém escolhe quando e onde quer ser ouvido. Os procedimentos obedecem a prazos e tramitação legalmente estabelecidos. Isabel dos Santos foi interrogada pelo Ministério Público durante a instrução preparatória e os seus mandatários participaram em todas as fases do processo, já ao abrigo da nova lei processual. Nessa fase, quase metade dos crimes iniciais foi afastada. A empresária acabou pronunciada por cinco crimes.

A empresária abandonou Angola numa tarde em que saiu, segundo relatos, em “roupas miúdas” para passear o cão, iludindo a vigilância policial. Por alegado erro da Procuradoria-Geral, o seu passaporte não foi cancelado, permitindo-lhe sair do país. Encontra-se actualmente entre a Rússia — onde terá adquirido nacionalidade — e o Dubai, território que não admite extradição em determinados casos.

O processo está concluso ao juiz de julgamento, aguardando-se que o Supremo Tribunal de Justiça anuncie a data do julgamento. Juristas rejeitam que o contraditório tenha sido violado, lembrando que a ausência do país é da exclusiva responsabilidade da arguida — considerada por analistas uma figura hábil na construção de narrativas favoráveis junto da opinião pública internacional.

04/06/2026

Uma das maiores companhias aéreas do mundo registou em Março uma das quebras mais acentuadas de que há memória no mercado angolano.

A Emirates, transportadora dos Emirados Árabes Unidos habitualmente associada a rotas de grande volume e elevados padrões de serviço, transportou apenas 646 passageiros em Angola, num colapso que a fez recuar da quarta para a décima posição no ranking das companhias com ligações internacionais a partir do país.

A quebra é superior a 90% face ao mês anterior e ao período homólogo. A quota de mercado da Emirates, que representava 6,7% do tráfego internacional em Março do ano passado e 5,6% em Fevereiro, recuou para apenas 0,5% — um valor que, para uma transportadora da sua dimensão, representa uma presença quase residual.

No lado oposto do mercado, a TAAG — Linhas Aéreas de Angola consolidou uma posição de domínio que dificilmente tem paralelo recente, controlando mais de 62% do tráfego internacional de passageiros. A retracção dos concorrentes tem contribuído para reforçar a supremacia da transportadora nacional num mercado em recomposição.

As razões para a abrupta contracção da operação da Emirates em Angola não foram oficialmente clarificadas. A companhia não emitiu qualquer comunicado público sobre a redução da sua actividade no país, deixando sem resposta uma das quebras mais expressivas registadas no sector da aviação comercial angolana nos últimos anos.

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