Filipa Mar

Filipa Mar

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25/04/2026

Liberdade…
Essa palavra tão pequena
E de tão abissal significado.
Caminhando pela vida
Vi roubados os direitos
Cada vez mais
Cada vez mais
A pouco e pouco
Foram indo todos
Poucos sobram.
E vi o povo a sofrer
A morrer sem saúde
Da fome, por anos escondida
Mas passada e vivida
E dos comprimidos que não tomados
Por não haver o dinheirinho… nem o dr.
Liberdade?
Onde? Quem?
Ai essa palavrinha….
Por onde vamos?
(Nos abismos da vida
De sucessivos poderosos
A roubar os valores de abril
Ao povo
A corromperem-se
Cada vez mais
Cada vez mais
Como avisaram
Camões e Pessoa!)
Ai, liberdade… por onde andas?
Que já não te avisto
Nem ao longe mascarada
Deste capitalismo fútil-fugaz.
Que a tudo e a todos engole, mordaz.
Liberdade nas palavras,
Não é liberdade nos direitos,
Nem nos deveres.
As palavras são só palavras.
E os deveres?
São só para alguns?
Mas, quando nos mudamos
para o interior, como fiz,
com uma mão na coragem
e a outra dada a um filho,
com muito orgulho,
percebemos que sim,
os outros têm razão,
sendo que os outros
também somos nós
também sou eu:
Lisboa é o centro do mundo
E do resto de todos nós
Esqueceram-se…
Não temos onde ir ao médico…
Aliás, não temos médicos
E que maior liberdade seria esta
Se houvesse saúde bem tratada
A todo um povo dito português!?
Quando saí de Lisboa
Percebi assim que o centro do mundo
Tratava mal o outro (suposto) mundo…
O outro país.
Qual liberdade é essa?
Os que se acham mais,
Tratam mal os provincianos
E assim vamos…
Com uma liberdade
Aqui e outra ali
Tiradas, a ferros,
quer queiramos quer nunca,
Arrancadas à pele,
Que trabalha de sol a sol,
(não generalizo, sei-o bem,
há alguns variadíssimos de nós
medindo-se pelo justo
valor também de Abril,
Dão tratamento igual
A qualquer um,
Independentemente
Da sua condição).
Mas é de cá que se arrancam à terra
a gritar de dolor
e a chorar: os legumes
Para a capital
Sedenta deles
No desejo de ser saudáveis…
Debaixo de um smog cancerígeno, fatal.
Não se lembram, nem sabem
muitos...
que o agricultor
Tem uma árvore para vender
E outra para comer.
Essa é a sua liberdade!
Essa, ninguém lha pode tirar!

Filipa Mar,
25/04/2026
11h33m

RAYE - I Know You’re Hurting. (Live at Abbey Road Studios) 04/04/2026

Poesia em forma de música!

https://www.youtube.com/watch?v=NXkn1Ee7Q5o&list=RDNXkn1Ee7Q5o&start_radio=1
de Raye, I Know You’re Hurting (Live at Abbey Road Studios).

RAYE - I Know You’re Hurting. (Live at Abbey Road Studios) RAYEI Know You’re Hurting. Live at Abbey Road.RAYE's sophomore album - THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE. is available now:https://raye.orcd.co/tmmchFollow RAYETik...

28/12/2025

Poema de Amor

Tu já tinhas o meu nome
inscrito na tua pele
Eu corria-te nas veias
Em desejos que não sabias
Dizias-me pelo vento em segredo
A fome de mim igual a mar imenso
Nestes versos de onde me vens
Não sei conhecer bem
Só saberei por ora dizer
desejo conhecer-te
todos os recantos
do teu corpo quente
já te sinto o afago e...
Um dia hás-de chegar
Nesse mesmo dia da felicidade
Para a enfim eternidade
Te hei-de saber o cheiro, o gosto
mas, nunca demais, amar.

MAR
28.12.2025
20h28m

“Eu Dizia” – José Afonso 12/07/2025

"Eu dizia",
Zeca Afonso

https://altamont.pt/eu-dizia-jose-afonso/

Letra original:https://arquivojosemariobranco.fcsh.unl.pt/files/default/files/005_eu_dizia.pdf

“Eu Dizia” – José Afonso O último tema que Zeca cantou em estúdio. Como seria de esperar, a voz fraqueja, e nem os quilos de reverb conseguem disfarçá-lo. Essa vulnerabilidade - humana, demasiado humana - torna tudo mais comovente.

21/04/2025

Esperanças vãs (no dia em que o Papa amado pela humanidade se foi: Francisco)

Tenho as mãos penadas de uma cidade amada
já ida, vivida de onde sem nada deixei.
Depois… por conveniência
para não mais sofrer...
Esqueci que a tanto amei.
Agora que quase tudo tenho, pelo menos
da materialidade já nada me faz falta.
Mas, nestas mãos cansadas de não voar
só sei do que passou
sem esperança de a mais alguém amar
fingir a vida comummente feliz
sem o saber ser.

Aqui neste recanto meu
de uma finisterra qualquer
da janela do meu quarto
vejo finalmente o mar infinito

e finjo que o mundo
tal como o conhecemos
não fenece a cada dia
da trova que passa.

Filipa Mar
21/04/2025, 15h48m

20/04/2025

Quem
Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem.

Manuel Alegre

02/11/2024
05/10/2024

Se me deres um poema e eu te der outro poema...

“Se você tem um pão e eu tenho um euro, e eu uso meu euro para comprar seu pão, no final da troca eu terei o pão e você o euro. Parece um equilíbrio perfeito, não? A tem um euro, B tem um pão; depois, A tem o pão e B o euro. É uma transação justa, mas meramente material.
Agora, imagine que você tem um soneto de Verlaine ou conhece o teorema de Pitágoras, e eu não tenho nada. Se você me ensinar, no final dessa troca, eu terei aprendido o soneto e o teorema, mas você ainda os terá também. Nesse caso, não há apenas equilíbrio, mas crescimento.
No primeiro, trocamos mercadorias. No segundo, compartilhamos conhecimento. E enquanto a mercadoria se consome, a cultura se expande infinitamente.”
Michel Serres, Filósofo Francês

25/07/2024

A Primavera em pês

Primavera perfeita pacatamente parceira
Pradarias plenas paganistas pelo pai pungente
Página pós página pertences-nos, provéns-nos
Paparoca, paisagens, passarinhos papudos.

Primavera palavra, possível paraíso
Pés profundamente parabólicos pela palha
Palmas percorridas por persistentes passeios
Palco pró paladar permanentemente profícuo
Panorama para paixões perdidamente pavoneadas.

Passo por passo pacientemente partiste...

Filipa Mar
23/07/2024
23h12m

19/11/2023

Não quis dizer um dia o amor embriagada

Tornando-me cinza num lento e calmo pernoitar

Mas a sede da recordação como brasa anseia em voltar

O meu olhar desde séculos-luz convida a seduzir para amar

Viajo sem conta, vezes, assim pelo campo do silêncio

E na minha alma ora vazia ora semi-completa há um eco

pedinte ressoando os passos dolorosamente sepulcrais

inefável a dor assim na saudade de um não-amor vazio

no acto de um beijar escapulido nas mãos seguramente.

Podíamos, se soubéssemos ter amado mais cedo

mais puramente, mais incessantes os corpos da loucura

de uma paixão que se tornou calmo amor fundado em amizade

nada a descodrir deste pungente naufrágio exacto e incompleto

se sonhasse adivinhar-te-ia a meu lado a cada passo breve

se acordasse ardente via-te sem mim na inconstância da vida

mesmo assim, um nada, inacabado, um tudo para mim.

08.08.2003

00h01m

MAR

19/11/2023

Ecos de mim


Ecos de mim deixei nessas praias longínquas

Ecos em espaços terrenos pouco explorados

Ecos no caos das ruas desta cidade

Ecos de mim, por já nada e tudo esperar

Ecos de mim em sonhos de perfume e cor

Ecos de amor que não retornam na areia

Ecos em espera de beijos loucos sem resistir

Ecos de ter medo de já não sonhar

Ecos de mim no chão, na rua, na areia, na água

Ecos de mim numa alma de solidão

Ecos assim nas esquinas do coração

Ecos que quero só para mim, possuir

Ecos que não vêm de um ti, entrecortado

Em ecos de labirintos que não entendo, coragem

Eco de mim que não retomasse ao passado

Um eco que fosses tu meu eco

Azul murmúrio debaixo do búzio, que fosses tu assim

Escutado num eco murmurado "Amo-te".

17.03.2003
00h25m
MAR

Pintura/Retrato de Gustav Klimt, "Lady with a Fan" (the last portrait completed by the painter before his death).

19/11/2023

Carta ao agnosticismo!

Olá, sejas tu quem fores.
Escrevo-te esta singela carta ao agnosticismo descrente de todos os deuses e semi-deuses!
Far-te-ia sempre as mesmas perguntas, o porquê da dor, o porquê da impiedade, o porquê do desorgulho, o porquê de tudo o que há de mau no mundo.
Queria nada saber. Queria mesmo ser ignorante e por que não ignóbil. E feliz, queria mesmo tanto ser feliz.
Pôr-te-ia sempre as mesmas dúvidas.
O porquê da fome e da morte de quem quer tão-somente: viver.
Porquê a dor de quem sempre quis ser feliz.
Porquê a sede, porquê o mal. Porque nos fazes a todos sofrer.
Porque já nascemos todos neste imenso mar que é uma angústia que queima, e porque nos deixas nele afogar.
Fosses tu quem sejas.
Sejas tu quem foste!
Deves ser mesmo muito mau para não nos ajudares e nem nos deixares ajudar quem precisa, deixando-nos de mãos e pés atados, chorando as lágrimas que nem são nossas.
Sejas tu quem sejas.
Porque nos olhas na indiferença cúmplice de um mal tão eterno e bem conhecido.
Porque adormeces, como consegues dormir sem nos deitar uma mão de paz e de calma. Já não peço para ser feliz, só peço para não sentir a dor de saber que sempre vamos ser assim. À tua custa, por ti, por tua causa, sejas tu quem quiseres Sê-lo, por muito que não queiras, É-lo.
Nesta minha revolta, talvez injusta, para com um mundo demasiadamente cruel: não quero conhecer-te, ser desumano e inclemente e ao contrário do que dizem por aí: não misericordioso, nunca foste piedoso por nós meros seres humanos.
Se é que existe alguém que nos pode ajudar e não o faz, só pode ser minimamente um criminoso dos piores que nunca conheci, e quem me dera que fosse um criminoso qualquer, vulgar, de rua.

Quem és tu afinal?

Ou, quem pensas que és, para poderes fazer tanto mal àqueles que te creem e só te amam?

MAR - 2001

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